O Autódromo Internacional Virgílio Távora está localizado na rua Ayrton Senna, nº 01, município do Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza. Foi inaugurado em 12 de janeiro de 1969, com o Grande Prêmio Ministro Mário Andreazza. O vencedor da prova inaugural, após 65 voltas, foi o piloto da Bahia, “Lulu Geladeira”, com um Puma espartano. Grandes nomes do automobilismo já competiram na pista do Eusébio como Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, respectivamente, bicampeão e tricampeão de Fórmula Um.

Em 1997, o autódromo passou por uma grande reforma, garantida por convênio de cooperação técnica assinado entre a Secretaria do Turismo do Estado, a Petrobrás e a Federação Cearense de Automobilismo. A reabertura aconteceu em 30 de novembro de 1997 com a realização da prova Seis Horas do Ceará. Com 237 voltas, a dupla Nelson Piquet/Ruyter Pacheco, do Distrito Federal, com um BMW, venceu a competição.

COMO SURGIU O AUTÓDROMO VIRGILIO TÁVORA:

Sob a tutela de José Queiroz, foram realizadas duas corridas na Av. Antônio Justa, no trecho que vai do Iate Clube até a rua Osvaldo Cruz, circuito em cujas extremidades faziam-se curvas de 180 graus. Daí, com a participação do Automóvel Clube do Ceará (sendo presidente o Dr. Luiz Queiroz), José Queiroz “descobriu” a pista do Pici (antiga base aérea do tempo da guerra), onde, religiosamente, todo final de ano, era realizada uma corrida.

Mesmo após a morte prematura de José Queiroz, estava implantada a semente irreversível deste esporte, que, à época, contava com pilotos do porte de Armando Barbosa, Antônio Cirino, César Figueiredo, João Quevedo, Neném Pimentel e Valmira (única mulher), dentre outros.

A cada corrida o público aumentava, tornando perigosa a pista. Preocupado com a situação, o Automóvel Clube, em reunião com os pilotos, estabeleceu três ações: 1. Recapear a pista e construir um lance de arquibancada; 2. Conseguir patrocínio para colocar cercas de proteção entre a pista e o público; 3. Conseguir permissão do DNOCS (supostamente proprietário do terreno) a fim de que se pudesse ter o mínimo de condições para a prática do esporte.

As duas primeiras etapas foram conseguidas, mais a terceira não foi realizada, tendo o DNOCS se negado a assinar tal compromisso, alegando não ser proprietário do terreno.

Diante do impasse burocrático de não saber quem era o verdadeiro proprietário do terreno, para tornar possível a continuação do esporte, o então presidente do Automóvel Clube, Dr. Luis Campos, foi até a Confederação de Automobilismo e, em sua volta, trouxe notícias de que seria impossível e inviável a construção de um autódromo no Ceará, por causa do valor da construção.

Fez-se nova reunião entre os pilotos, que não haviam perdido as esperanças de construir um autódromo, ante a promessa do prefeito de asfaltar a pista e fornecer um lance de arquibancadas. Faltava apenas o terreno, que logo depois os pilotos conseguiram comprar da família de Raul Sá, com 33 hectares, localizado no município do Euzébio, onde está hoje sediado o Autódromo Internacional Virgílio Távora.

Achava-se que tudo estava certo, mas não foi bem assim, pois, após a compra do terreno, o prefeito de Fortaleza comunicou que não poderia cumprir a promessa que fizera, já que o terreno se encontrava na comarca do Euzébio, fora, portanto do Município de Fortaleza.

Mais uma vez os pilotos não se abateram, e, com o apoio de Manoel Franklim de Castro Gondim, criou-se uma comissão de pilotos para falar com o estadista Virgílio Távora em sua casa. Após relatar a situação a Virgílio Távora, este pegou o telefone e ligou para o então ministro Mário Andreazza, com os seguintes dizeres: “Mário, quero que você autorize o Amílcar a mandar fazer o asfalto do autódromo da moçada que acaba de invadir minha casa.” Tendo como resposta do ministro o seguinte: “uma solicitação sua é uma ordem”, tendo sido autorizado de imediato o asfaltamento da pista.

O então diretor do DNER, Amílcar, irmão de Virgílio, recebeu uma comitiva de apenas duas pessoas para concretizar o pedido, pois, conforme foi dito por Virgílio, era bom irem apenas duas pessoas, porque seu irmão era meio brabo.

Em poucos dias as máquinas estavam lá. Mas surgiu novo impasse. É que o Dr. Amílcar comunicou que não havia verba para pagar o asfalto à Petrobras, fazendo com que os pilotos corressem atrás dos recursos. Acontece que a compra do terreno já tinha sido bastante pesado para as posses dos pilotos, pois a toda a hora apareciam despesas indispensáveis e inadiáveis.

Diante disso, o Dr. João Quevedo foi bater à porta do Secretário de Planejamento do Governo Plácido Castelo, Dr. Marcelo de Caracas Linhares, cunhado do Dr. Édson Ventura, que prontamente liberou uma verba bastante oportuna, pois serviu para pagamento do óleo diesel e extraordinários aos funcionários das máquinas, que permaneciam trabalhando até 10(dez) horas da noite.

O trabalho era conjunto, pois, ao mesmo tempo, um enorme grupo de dirigentes do automobilismo colaborava trabalhando em outros setores, como o saudoso Estácio Brígido, que buscava patrocinadores para propagandas nas paredes que faziam a frente do autódromo; como o Dr. José Ribamar da Silva, ex-presidente da Federação, que transportava, de Pacajus, trabalhadores que construíam as arquibancadas; como Lindolfo, Sebastião Pessoa (irmão de Miguel Bang Bang), que dirigia um caminhão usado (comprado pelos pilotos) para dar apoio no que fosse necessário; como Humberto Brasil, que carregava em seu carro tambores de óleo diesel, de Fortaleza até a obra, para abastecer as máquinas que trabalhavam fora do horário; como Ronald Pedrosa, também ex-presidente, que se encarregara de destruir com explosivos um obstáculo, local em que a Shell patrocinou um viaduto, situado no final da reta principal.

Com toda essa mobilização, conseguiu-se, em quatro meses, disponibilizar o autódromo para a sua inauguração, que aconteceu em 1969. Nessa obra, todos os colaboradores ligados ao automobilismo nada percebiam; pelo contrário, tudo o que faziam saía de seus próprios bolsos.

INAUGURAÇÃO DO AUTÓDROMO

Como não podia deixar de ser, foi uma festa de arromba, o então ministro Mário Andreazza veio pessoalmente para a sua inauguração, estando presente o estadista Virgílio Távora, o governador Plácido Castelo, o general Élery, o prefeito de Fortaleza, Sr. José Valter Cavalcante, Amílcar Távora, diretor-geral do DNER, o prefeito do município do Euzébio e outras autoridades de nosso Estado.

A imprensa nacional se fez presente, com José Lago, José Carlos Seco, tendo cabido à empresa de Luiz Severiano Ribeiro a incumbência de divulgar o evento para o resto do País.

REPERCUSSÃO DA INAUGURAÇÃO

Os hotéis de Fortaleza lotaram, verificando-se que muita gente era amante do esporte, tendo vindo muitas pessoas de outros estados, as quais não acreditavam ser possível tal realização, pois pensavam ser o Estado do Ceará uma terra seca de imenso atraso, a tal ponto que houve até pessoas que trouxeram água para beber, pois tinham certeza de que aqui só havia seca e cobras passeando pelas ruas.

A inauguração do Autódromo Virgílio Távora trouxe para o Estado do Ceará investimentos de caráter turístico e industrial, atraindo investidores para o nosso Estado.

Pessoas que tornaram possível o autódromo:

JOSÉ ANTUNES QUEIROZ (ZÉ QUEIROZ), ARMANDO BARBOSA, WELINGTON SOARES, DR. LUIZ QUEIROZ CAMPOS (PRESIDENTE DO AUTOMÓVEL CLUBE), ANTÔNIO CIRINO NOGUEIRA (CIRINÃO), JOÃO QUEVEDO, CÉSAR FIGUEIREDO, NENÉM PIMENTEL (PRESIDENTE DO B. PONTUAL), ARTUR VICHMAN, MIGUEL FERNANDES (MIGUEL BANG BANG), VALKIRIA (ÚNICA MULHER), FERNANDO ARY, GG BANDEIRA, GERALDO BANDEIRA, JOCA FERRAZ, ESTÁCIO BRÍGIDO, MANINHO BRÍGIDO, EDUARDO AUGUSTO CAMPOS, AUGUSTO OLIVEIRA, DR. JOSÉ VALTER (PREFEITO DE FORTALEZA), ETEVALDO NOGUEIRA LIMA, JOSÉ EDMAR BARROS DE OLIVEIRA, DR. JESUS MAUÉS PINHEIRO (GERENTE DA SHELL), MANOEL FRANKLIN DE CASTRO GONDIM (COLABORADOR), VIGÍLIO TÁVORA, MÁRIO ANDEAZA (MINISTRO), AMÍLCAR TÁVORA (DIRETOR DO DNER), DR. MARCELO DE CARACAS LINHARES, DR. JOSÉ RIBAMAR DA SILVA, LINDOLFO, SEBASTIÃO PESSOA, HUMBERTO BRASIL, RONALD PEDROSA, MURILO SERPA, MARCELO VILAR, PAULO FROTA SIMAS, ROBERTO FIÚZA, FERNANDO LELY, NEY GOMES BORBA, JOSÉ LINO SILVEIRA, AÉCIO DE BORBA VASCONCELOS, GERALDO ROLA, HAROLDO PEIXOTO, GRUPO VERDES MARES (ASTROLÁBIO QUEIROZ, MANSUETO BARBOSA), GRUPO O POVO (DEMÓCRITO DUMAR), DIÁRIOS ASSOCIADOS (EDUARDO CAMPOS).

FATOS CURIOSOS

Ao colaborador Arruda, conhecido por Louro, encarregado de organizar os livros de ata e secretaria, na falta do redator (oficial) para solicitar um patrocínio a J. Macedo, coube a redação do pedido que se segue:

Ilmo Sr. J. Macedo,

Aqui é o Louro da Associação. Estamos solicitando o patrocínio da próxima prova, que vai se realizar no domingo. A sua firma vai ser muito falada, e o pessoal que vai assistir à corrida é muito grande. O Sr. vai vender muito carro e ter muito lucro. Agora quero saber se o Sr. quer ou não quer patrocinar a corrida. Se não quer, diga logo, porque ai eu vou atrás de outro.

Fortaleza,....
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ARRUDA

Observação: A cópia da solicitação está registrada no livro de ata.

Um dos carros da fórmula Volks já estava sendo empurrado há bastante tempo para ver se pegava. A bateria, de tanto se pelejar, já havia descarregado. Neném Pimentel, que estava observando, notou que o motor girava ao contrário e logo matou a charada. Pediu para sentar ao volante a fim de fazer o carro pegar. Então, mandou que empurrassem o carro de ré. Ao engatar a 2ª marcha, o carro logo pegou. Moral da história: haviam montado a caixa de marcha ao contrário.

Esta é a história do nosso Autódromo, fruto de uma época em que todos se uniram em prol de um só ideal: levar avante as emoções da velocidade para os pilotos daquela época, tidos como malucos por velocidade, e para os futuros pilotos, que hoje fazem parte desta grande família automobilística do Estado do Ceará.

Meu especial agradecimento ao piloto e padrinho TARCÍLIO PIMENTEL (NENÉM).

QUEVEDO FILHO (Piloto que contribuiu com o texto)